No dia 28/09, temos a entrada de Marte no signo de Leão. E no mapa do evento, podemos ver que ele faz conexões desafiadoras com Lua e Quíron em Áries, Vênus em Escorpião e Plutão em Aquário, ao mesmo tempo em que estabelece fluxos harmoniosos com o Sol em Libra e Netuno em Áries.
Marte é o guerreiro, que neste momento veste os trajes de um rei. Não apenas é aquele que abre o caminho primeiro, mas vai junto na aventura, liderando e levando muitos consigo. Esse planeta representa o impulso de ação, defesa, luta. É a coragem e a firmeza que a vida nos pede em muitos momentos.
Porém, ao se conectar com a Lua, essa atitude ganha contornos emocionais, inconscientes e reativos. A espada é erguida sob qualquer provocação, pois o sentir em Áries não racionaliza: apenas sente o momento. Quando o guerreiro se dá conta, a guerra já começou.
A tensão com Quíron revela uma dor antiga que afeta a ação. É quando o guerreiro ergue sua espada tomado por um espírito de frenesi, após ter suportado bastante. É o momento em que ele decide que "basta" e reúne forças para vencer.
A quadratura com Vênus em Escorpião mostra que ele gosta do poder e mergulha de cabeça em suas batalhas. Entrega-se com paixão, intensidade e profundidade, desejando a espada mais poderosa do reino para triunfar sobre seus desafios.
Já a oposição a Plutão em Aquário intensifica a busca por excelência e reconhecimento. O guerreiro quer grandes batalhas onde todos reconheçam a dimensão de sua força, sentindo também o chamado de lutar por transformações reais — não apenas para si, mas para todo o reino.
Em contrapartida, Netuno em Áries, num fluxo fácil, tempera o espírito de batalha desse guerreiro com empatia e sensibilidade. Sua luta parece não ter limites porque ele se funde a ela: a batalha torna-se parte de sua própria identidade.
É tanto fogo nessa configuração que o guerreiro poderia facilmente se queimar. Contudo, o Sol em Libra traz a ponderação necessária através de um sextil. Ele pensa, equilibra e ergue sua espada de forma justa, consciente de que a verdadeira luta deve ser em prol da paz não apenas para si, mas para todos.
O arcano que criei para Marte é, sem dúvida, um dos mais diferenciados que fiz, pois, pela primeira vez, o personagem central tem a pele vermelha, conectando-se diretamente ao espírito de fogo do planeta em questão.
O guerreiro criado veste uma armadura brilhante, usa uma coroa e segura a sua espada e o seu escudo. Está parado, como se esperasse por algo, mas pronto para lutar ou defender-se. Não é um guerreiro qualquer: é o guerreiro leonino, que sabe quem é no seu coração e luta pela sua verdade.
A sua armadura combina o vermelho forte (Leão), o amarelo vivo (Libra) e o azul escuro (Escorpião), mostrando que ele equilibra o instinto com a racionalidade e que estes se sobrepõem aos seus sentimentos profundos. As suas botas, uma vermelha e outra amarela, reforçam a ideia de um caminhar em equilíbrio.
O seu escudo está rachado (Quíron) e combina um tom quase branco com o vermelho vivo de Áries. Observa-se nele um triângulo vermelho (Áries) a apontar para cima e uma meia-lua (Lua). Isto revela que o seu impulso de defesa ocorre de forma automática, tendo as suas emoções espontâneas como gatilho.
Ele encara o espetador de frente, revelando coragem e mostrando que a vida deve ser enfrentada com bravura, vivendo um momento de cada vez.
Uma capa com capuz cobre as costas do guerreiro e os lados do seu rosto. Isto revela o seu foco: ele não se distrai. A capa simboliza autoridade, majestade, proteção energética e soberania. Já o capuz aponta para a introspeção, o segredo, o mistério, a humildade, a proteção da mente e a conexão com o mundo invisível (Plutão).
A névoa na parte inferior indica que o guerreiro talvez não tenha total certeza do terreno em que pisa no momento, representando o caminho turvo que resulta da influência netuniana. Contudo, a estrela no canto superior direito revela que a intuição o guia nas suas batalhas, pois a espada aponta na sua direção.
Em resumo, este arcano mostra a necessidade de manter a firmeza na nossa caminhada, mesmo diante de momentos pouco claros. Aponta para a importância de caminhar com equilíbrio, sem permitir que as emoções assumam o controlo ou que as dores antigas sirvam de gatilho para atitudes impensadas. Se soubermos silenciar a mente, manter o foco e permitir que a intuição nos guie, saberemos exatamente por que razões estamos a lutar.